1998: Brida é cancelada no meio e crise se instala na emissora

Uma novela sem fim

No ano de 1998 a situação da emissora pioraria. A novela Mandacaru faturava pouco e os programas jornalísticos estavam desgastados. A situação econômica do país também piorava, com alta na taxa básica de juros, medida adotada pelo Banco Central para frear os impactos da crise na Ásia naquele ano. E mais uma vez, a emissora seria impactada pelo cenário macroeconômico, já que os gatos publicitários dos anunciantes diminuíam, ainda mais agravado pelo aumento dos juros da dívida da emissora.

magdalena

A Manchete anunciou novidades já no mês de março. A primeira delas consistiu em uma grande reformulação dos noticiários da Rede. O “Jornal da Manchete” foi totalmente renovado e teria três edições ao longo do dia. A proposta era que o jornalismo voltasse a ser como na época da estréia da emissora. Assim, no dia 27 de março, o telejornal entrava em cena com cenário totalmente futurista, trazendo de volta a redação do jornal, atrás de um vidro que mostrava um enorme mapa-múndi.

Claudete Troiano assumiu o comando do vespertino “Mulher de Hoje“, deixado por Beth Russo em dezembro de 97.

Salomão Shwartmman substituía o “Momento Econômico” pelo “Frente a Frente“.

No início de março estreava o programa de Magdalena Bonfigliolli. O “Magdalena Manchete Verdade” mostrou bons resultados. A fórmula já vinha sendo explorada por Marcia Goldshimit no SB: os convidados falavam sobre suas desavenças no palco, a fim de a equipe tentar remediá-los, o que, claro, gerava discussões acaloradas. Era um formato popular, em franco crescimento no país.

Aos domingos também houve uma grande novidade. Em parceria com a produtora independente TV Ômega, de propriedade de Amílcare Dalewwo, a Manchete substituia o mal-sucedido “Domingo Milionário” pelo “Domingo Total“, comandado por Otávio Mesquita, Virgínia Novick e Sérgio Malandro. O programa teve ótimos índices de audiência, principalmente quando entrava no ar o quadro comandado por Otávio Mesquita, onde o apresentador acordava vários famosos. Sérgio Malandro também se destacou com à frente da “Festa do Malandro”.

Mesmo com essas bem-sucedidas estréias, os juros das dívidas cresciam, o que sufocava a emissora.

Em junho do mesmo ano, o salário dos funcionários não foram pagos, o que era um péssimo sinal. As transmissões da Copa do Mundo de 98 não renderam os lucros esperados, e em agosto entrava no ar a novela Brida, baseada na obra sucesso de vendas de Paulo Coelho. A magia do autor parece não ter funcionado com a novela. A audiência ficou baixa, o que ocasionou uma troca de enredo na trama.

Mesmo com todo esforço, a novela fracassou. O atraso nos pagamentos causou uma greve pelo elenco da novela. Sem saída, a trama foi tirada do ar pelo meio. E o problema não era só esse.

Sem garantias numa emissora que já estava afundando, vários profissionais valorosos saíram da casa. De uma só vez, debandavam Márcia Peltier, Otávio Mesquita e Raul Gil, este último levando o seu programa de volta para a TV Record. Além disso, a emissora também extinguiu o “Domingo Total”, o que provocou diretamente a saída de Sérgio Malandro e Virgínia Novick. As tardes de domingo contavam agora com uma seção tripla de filmes: o “Festival Manchete de Cinema”. Aliado a isso, a produção dos jornalísticos parou, e os programas começavam a ser reprisados. O “Mexe Brasil“, apresentado por Marcelo Augusto, também entrava no clima das reprises. O jeito foi exibir novamente o grande sucesso da emissora: Pantanal.

Pantanal entrava novamente no ar no dia 26 de Outubro de 1998, e o Jornal da Manchete fora reduzido para trinta minutos. Carlos Chagas vinha novamente como “tapa buraco” na programação, estreiando o programa Se Liga Brasil diariamente após a novela. Nessa época, um show de programas de Televendas invadia a tela da Manchete. O vespertino Mulher de Hoje foi extinto. Em dezembro do mesmo ano, o Jornal da Manchete saía do ar por motivo de greve geral.

Em Janeiro de 99, a emissora assinou umm contrato com o Grupo Renascer em Cristo, propriedade de Sônia Hernandez. Pelo acordo, a Igreja Renascer exploraria a emissora, produzindo programas e recebendo os patrocínios, e em troca pagaria por mês R$ 80 milhões ao Grupo Bloch, como uma espécie de “aluguel”. A partir daí novas chamadas anunciando o que seria a “Nova Manchete” entravam no ar. A reexibição de “Pantanal” e o programa “Se Liga Brasil” continuavam na grade. Claudete Troiano trazia de volta o feminino “Mulher de Hoje”. O “Jornal da Manchete” também voltava ao ar. Porém, o acordo não deu certo e foi desfeito em fevereiro do mesmo ano, porque a Igreja não pagou a primeira parcela dos salários.

A emissora adentrou o ano de 1999 ainda com mais um problema: o grupo IBF reivindicava há três anos na justiça a posse do canal. O Grupo Bloch teria que esperar a liminar dando-lhes a posse da emissora para vendê-la. A liminar saiu em abril do mesmo ano, e a emissora foi finalmente vendida no dia 16 de maio de 1999 para Amílcare Dalewoo, dono da TV Ômega, que era a produtora do “Domigo Total” exibido na Manchete em 1998.

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