1987: Esquenta a produção de novelas e Angélica assume o ‘Clube’

A era Wilker

Em 1987, as transmissões do Carnaval vinham recheadas de novidades. A emissora do Rússel colocou mil funcionários no sambódromo para a cobertura dos desfiles da Escolas de Samba. A concorrência entre as Redes Manchete e Globo ganhava caráter de briga. Um confronto de logotipos marcava a entrada do sambódromo durante as transmissões dos desfiles do Grupo Especial do Rio. Dentre as novidades, a rede trazia a câmera-robô, além de um helicóptero que sobrevoava o sambódromo do Rio de Janeiro. Rubens Furtado dizia que o Carnaval era a chance que a Manchete tinha de mostrar que era melhor que a Globo.

Em março José Wilker, que assumira a direção de dramaturgia em substituição a Herval Rossano, estréia sua primeira novela na emissora: Corpo Santo tinha um formato inovador, era uma novela-reportagem, recheada de cenas de violência e com um elenco global: Maitê Proença, Christiane Torloni, Jonas Bloch, Lidia Brondi e Reginaldo Faria. A novela estreou cokm 14 pontos de audiência e chegou a picos de 31 pontos, durante a morte da personagem de Torloni.

Corpo santo repleta de rostos globais

Durante o restante do ano, o diretor trouxe uma série de profissionais de peso da dramaturgia brasileira para a emissora, e lançaria vários produtos do gênero. Em maio, às 19h45 estreou Helena, novela escrita por Mario Prata, com Luciana Braga e Thales Pan Chacon nos papéis principais.

Homossexualidade, magia negra, espiritismo e HIV: a polêmica novela de Gloria Perez.

Em outubro, em substituição a Corpo Santo, estreou Carmem, escrita por Glória Perez e estrelada por Lucélia Santos, trazidas da TV Globo a peso de ouro como grandes estrelas, e ainda Paulo Betti. A trama chegou a ter 31 pontos de audiência no Rio de Janeiro, desbancando a TV Globo em alguns capítulos. Trouxe temas latentes mas praticamente sem voz na TV, como homossexualidade, magia negra, espiritismo, e principalmente, a AIDS. Causou polêmica.

Além das novelas, a emissora voltaria a produção de minisséries com A Rainha da Vida, com Débora Duarte. A minissérie teve 15 capítulo, mas nao teve boa repercussão.

Em abril, Simony assinou contrato com o SBT e deixou a Manchete. “A Nave da Fantasia” passou então a ser apresentado por Angélica, que poucos meses antes havia cantando durante uma participação no mesmo programa. O sucesso foi imediato, e a emissora decidiu relançar o Clube da Criança sob o comando da menina alguns meses depois. Angélica tinha apenas treze anos de idade, e cursava a sétima série do primeiro grau. Com a volta do Clube ao antigo horário, “Lupu Limpim Clapá Topô” foi extinto.

Outros programas produzidos em parceria com Nilton Travesso e a produtora independente Equipe A foram lançados: Mulher 87, Osmar Santos Show e Vídeo em Manchete (uma espécie de Vídeo Show).

Nas manhãs, o “Repórter Manchete” entrava no ar diariamente às 8h. Com um formato muito parecido com os canais de TV paga americanos de hot news (CNN), exibindo notícias o tempo todo direto da bancada, o jornal se aproveitava da frequencia da TV Manchete no Rio (canal 6), que permitia a sintonia através de rádios FM. Muitos cariocas ouviam o telejornal indo para o trabalho, que pouco se valia de imagens, adotando de fato uma linguagem radiofônica. No campo do jornalismo, também estreavam os telejornais locais Praça em Manchete, que antecediam o Jornal da Manchete. Rio em Manchete, SP em Manchere, MInas em Manchete, Ceará em Manchete, Pernambuco em Manchete, Pampa em Manchete e posteriormente muitos outros.

Em junho de 87 a situação voltaria a piorar. A linha de shows (humor e musicais) foi desativada e com isso cerca de 100 funcionários foram demitidos. Em agosto do mesmo ano Adolpho Bloch confirmava sua intenção de vender a emissora, tendo em vista que a legislação em vigor na época só permitia que alguma concessão de rádio ou TV fosse vendida depois de cinco anos de funcionamento da emissora, e no caso da Manchete, isso significava que em 1988 ela já poderia ser vendida. Na realidade, nada se concretizou.