A TV que foi manchete

Moderna, ousada, obcecada por qualidade, fez do jornalismo sua primeira grande atração. Produziu novelas icônicas, formou talentos como Xuxa e Angélica e fez a cabeça de uma geração com seus heróis japoneses. Cobriu os grandes eventos esportivos, e ajudou a fazer do carnaval um produto de orgulho para o país. Mas também foi manchete por crises inacreditáveis, tristes, que deram a esta história contradições e dicotomias de todos os tipos.

Há quase 40 anos entrava no ar a Rede Manchete de Televisão, com cinco canais próprios, e uma estrutura que a posicionava dentre as mais modernas e bem equipadas do mundo. Dois anos depois já era a terceira maior do país em cobertura e audiência, e vice-líder em faturamento. Mas percorreria uma trajetória alternada por sucessos sucessos surpreendentes com momentos de crise deprimentes . Tudo isso levou aquela que chegou se anunciando como a “TV do ano 2000” a um fim melancólico apenas nove meses antes da “virada do milênio”.

Da concessão à estreia, um plano ambicioso

Dois anos antes da estreia, Adolpho Bloch venceu a concorrência por cinco canais das ruínas da Tupi, além do canal 9 de São Paulo (ex TV Excelsior). Rio, São Paulo, BH, Fortaleza e Recife compunham uma das duas redes de TV que o governo militar decidiu lançar. A disputa teve grupos de peso como o Jornal do Brasil, a Editora Abril, o Grupo Capital (ligado a Maluf) e outros cinco concorrentes . O beneficiado pela outra rede foi Silvio Santos, que com os quatro canais que recebeu, lançou o SBT no dia da assinatura do compromisso, em 14 de agosto de 1981.

Fotomontagem com alguns ícones da trajetória da Manchete

Adolpho Bloch, historicamente, investia constantemente na renovação dos equipamentos da editora, e com a TV, teria a mesma postura. Por isso levou quase dois anos até conseguir equipar a emissora do jeito que planejou, quase perdendo o prazo legal para colocar a emissora no ar. Bloch não poupou investimentos, importando equipamentos de ponta (foi o primeiro comprador de muitos dos modelos escolhidos), enviou funcionários para estudar nos EUA e mais que dobrou o já suntuoso prédio-sede da Editora Bloch, na praia do Flamengo, cartão postal do Rio de Janeiro.

Anúncio da estreia da Manchete

Um novo sinal no ar…

"No dia 5 de junho, a partir do Rio de Janeiro, a Rede Manchete de Televisão passa a integrar o Brasil através de uma cadeia nacional de emissoras. O compromisso com uma programação de qualidade marca uma nova etapa na TV"

Peça publicitária veiculada em jornais e revistas em abril de 1983

A proposta da família Bloch era lançar uma emissora moderna, jovem, com um jornalismo forte (inspirado na BCC de Londres e na recém-inaugurada CNN americana), com programação voltada para as classes A e B. Desta forma, buscava um posicionamento diferente das demais emissoras de TV da época. E financeiramente ousado…

Durante este período, contou com o apoio da TV Globo. Adoplho Bloch e Roberto Marinho eram amigos de longa data e praticamente não competiam nos seus segmentos, já que o mercado de revistas estava longe de ser a principal aposta do grupo global. Marinho pediu a Boni, então superintentendente da Globo, que apoiasse Pedro Jack Kapeller, sobrinho de Adopho, a aprender como funcionava a operação de uma TV. A Globo fez o projeto técnico da Manchete (segundo o próprio Boni). O acordo era que a nova emissora não entrasse na disputa  pelo segmento do principal produto da líder: a produção de novelas. Em troca a Globo continuaria a não investir pesadamente em revistas. Este acordo, no entanto, já seria rompido no ano seguinte.

Estreia a TV Manchete

Às 19 horas do dia 5 de junho de 1983, com cinco emissoras próprias e uma afiliada (a TV Pampa de Porto Alegre) a tão esperada rede de TV de um dos maiores conglomerados de comunicação do Brasil à época, entrava no ar. A expectativa era grande, por dois motivos: a revista Manchete havia sido por décadas, a mais importante publicação do Brasil; e o grupo prometeu lançar a mais moderna e de melhor qualidade rede de televisão da América Latina.

Estreia da Manchete

Estreia da TV Manchete, com a contagem regressiva, pronunciamento de Adolpho Bloch saudando as emissoras concorrentes, em especial a TV Globo, mensagens do então Presidente da República, patrocinadores, a vinheta de abertura do M voador que impressionou e assustou a concorrência pela alta tecnologia e o início so show Mundo Mágico, que liderou a audiência, ultrapassando o Fantástico.

Com uma vinheta futurista, o logotipo da emissora sobrevoava as capitais onde a rede possuía as cinco emissoras próprias, e pousava como uma nave espacial no suntuoso prédio-sede da Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro. Até então não se tinha visto nada tecnologicamente tão avançado no Brasil. Com imagens impressionantes, embaladas com uma trilha sonora moderna (compostas pelo conjunto pop Roupa Nova), filme que seria o início e encerramento da programação diária durante toda sua trajetória, causou enorme repercussão na concorrência e no mercado publicitário.  Já neste dia a emissora desbancou o Fantástico, ficando em primeiro lugar com o Show Mundo Mágico e a superprodução hollywoodiana, então inédita, Contatos Imediatos de Primeiro Grau, de Steven Spielberg.

Vinhetas da Manchete

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45 vinhetas: da tradicional de abertura de programação, passando pelas vinhetas interprogramas, as especiais de aniversário, de fim de ano, da retomada da emissora pela família Bloch, e de lançamentos de novas programações.

Inicialmente a programação era composta por jornalismo, musicais, filmes e séries de peso. Além de uma sessão diária de desenhos infantil, que mais tarde inauguraria o formato que seria copiado por todas as emissoras de TV nos anos seguintes, o Clube da Criança.

Primeira abertura do Clube da Criança com Xuxa

O Jornal da Manchete tinha duas horas de duração. Com esse investimento em jornalismo, a emissora, ao longo de toda sua existência, inovou, e trouxe técnicas e linguagens que são até hoje usadas pelas emissoras. A presença de comentaristas, âncoras participando de diferentes cidades (Rio, SP e Brasília) interagindo via telão, formas de narrativa, informalidade, mulheres na bancada, levar a apresentadora para apresentar a partir da cidade sede das Olimpíadas, são alguns exemplos. Além da roupagem moderna, com um cenário que remetia a uma nave espacial e deixava a redação à mostra. A canção Videogame, composta por Roupa Nova, ficou marcada na cabeça dos telespectadores, e foi lá que Leia Cordeiro e Eliakim Araújo se consolidaram como o Casal 20 do telejornalismo.

Jornal da Manchete

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Aberturas, escaladas e encerramentos, com todos os apresentadores titulares A lista termina com a marcante canção Videogame, composta por Roupa Nova remixada em versão especial no show de comemoração dos 30 anos do grupo em 2010 e posteriormente em sua versão original.

Carnaval leva emissora à liderança

Em 1984 ocorreu o primeiro estranhamento na relação entre Globo e Manchete. A emissora dos Blochs ganhou de Leonel Brizola, então governador do Estado do Rio, a exclusividade na cobertura do carnaval carioca, bem no ano em que seria inaugurado o Sambódromo. A Rede Globo tentou de todas as formas procurar a Manchete para adquirir parte dos direitos, mas Adolpho Bloch fingiu que não ouviu, e como resultado, a Manchete foi líder absoluta durante a transmissão do evento. A resposta viria dez anos depois, quando, endividado, Adolpho Bloch procurou Marinho para pedir ajuda. Depois de deixar Bloch esperando por horas, Marinho abriu a porta da sala, ouviu o empresário, e apenas respondeu: “estou aguardando o retorno daquela minha ligação de 84 há dez anos”. Adolpho saiu cabisbaixo da sala sem falar nada.

Derrete a Manchete

As negociações com o governo Brizola estavam complicadas, por isso falamos para a Manchete assumir as negociações, fechar as trasnsmissões das Escolas do Rio, e depois nos repassar nossa parte dos direitos. Adolpho Bloch conseguiu o acordo, e depois não atendeu mais nossas ligações, nem minhas, nem do Dr. Roberto. A partir daí viramos inimigos. Dr. Roberto falou: “derrete a Manchete“, e foi o que aconteceu”.
Boni
Sobre as negociações para transmissões do carnaval de 84, em entrevista ao documentário “Os campeões de Audiência”. TV Cultura, 2020.

Percebendo que os públicos A e B tinham coisas melhores a fazer do que assistir TV, a Manchete viu que precisaria popularizar a grade para atingir a classe C. Por isso, em 1985, lançou uma série de programas de auditório, humorísticos, e um feminino vespertino apresentado por Clodovil. Também entrou no campo da dramaturgia, levando ao ar a minissérie “Marquesa de Santos”, protagonizada por Maitê Proença. O resultado foi animador para a primeira aposta na área da emissora.

Dona Beija: a feiticeira do Araxá que seduziu o país

Em 1986, a Manchete lançou Dona Beija, com Maitê Proença, novela que fez tremendo sucesso e ficou em primeiro lugar de audiência algumas vezes. Neste ano, Xuxa foi contratada pela Globo, e a Manchete lançou um programa infantil com Lucinha Linns para ocupar seu lugar.

Cenas Marcantes de Dona Beija

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Jaspion e Angélica: vice-liderança

Em 1987, José Wilker assume a direção de dramaturgia, e lança mais um horário de novelas. Wilker trouxe vários artistas da Globo, e conseguiu alguma repercussão com  novelas como “Corpo Santo”, “Carmem”, “Olho por Olho”, etc.. Ainda neste ano, Angélica é descoberta e começa a aprsentar o programa matutino “A nave da fantasia”.

Em 1988, Angélica é promovida apresentadora do Clube da Criança, que volta ao ar no horário tradicional, das 17h às 19h, fazendo grande sucesso. A Manchete lança o seriado japonês Jaspion, que teve enorme sucesso, e incentivou o lançamento de vários outros seriados do gênero nos anos seguintes, como Changeman, Fhasman e Black RX. Esse estilo de programa marcaria a infância de muitos agora adultos. Por isso a Manchete é muito lembrada por quem, hoje, está na faixa dos 35 aos 45 anos.

A era de ouro: segunda maior TV do país

Em 1989, Jayme Monjardim assume o núcleo de dramaturgia e produz outro grande sucesso: Kananga do Japão. Leila Cordeiro e Eliakim Araujo deixam a rede Globo e chegam para ancorar o Jornal da Manchete. A partir daí, a Manchete começaria a viver uma fase de ouro, que se estenderia até 1992.

Em 21 de agosto de 1989, Leila Cordeiro e Eliakim Araújo (até então apresentadores do Jornal da Globo) foram contratados para ancorar o Jornal da Manchete, substituindo Ronaldo Rosas e Carlos Bianchinni. Depois de seis anos, era a hora de reformular o telejornal, mantendo a proposta de mostrar uma cobertura mais aprofundada dos fatos, mas buscando uma maior agilidade e uma linguagem mais acessível ao público. Com a liberdade prometida, e a missão de implantar um novo jeito de informar ao telespectador, rumaram à Rua do Rússel como estrelas de primeira grandeza.

Leila e Eliakim no Jornal da Manchete - 1991

Essa época de ouro da Manchete, caracterizada com novelas de sucesso e infantis vice-líderes, também se caracterizou por um show de jornalismo. A Rede Manchete, que até então se destacava nesse departamento, abriu ainda maior distância em relação à concorrência. O jornalismo era ousado, inovador e independente. Os repórteres chegavam antes e davam seguidos furos de reportagens. A inovação fazia escola na TV. A emissora chegou a ser publicamente elogiada por Boni, então vice-presidente de operações da TV Globo, pela entrevista exclusiva com Mikhail Gorbachev levada ao ar no JM. Nessa época, a Manchete já suspendia a programação para exibir initerruptamente qualquer acontecimento importante no país. O Jornal da Manchete era ágil, tinha correspondentes espalhados pelo mundo, e trazia a data e imagens do dia integradas à abertura. Leila e Eliakim se consagraram como o Casal 20 do telejornalismo.  

Em 1990, a emissora contrata Benedito Ruy Barbosa para escrever a novela que a Rede Globo não quis fazer: Pantanal. Jayme Monjardim criou uma narrativa totalmente diferente da usual, e o resultado foi um sucesso retumbante logo nas primeiras semanas da estreia.

Pantanal liderou a audiência no Rio em todos os capítulos a partir da terceira semana, e chegou a abrir uma frente de 20 pontos (42 a 22) contra a Globo. Em São Paulo, Pantanal foi líder em quase 60% dos capítulos, e perdeu por muitos poucos pontos nos demais.

Abertura, encerramento e chamadas

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Este sucesso incentivaria a emissora a continuar com novelas que mostrassem as belezas naturais do Brasil, e no ano seguinte, estreou “A História de Ana Raio e Zé Trovão”. Com o slogan “o Brasil que o Brasil não conhece”, a trama mostrava a rotina de uma caravana de rodeios, e com isso a emissora percorreu mais de 14 mil quilômetros, mostrando cenários até então inéditos na TV. Neste período a Manchete adotou o slogan “O Brasil passa na Manchete”.

Minisséries como “O Canto das Sereias”, “O Guarani”, “Filhos do Sol” e “Canto das Sereias” sucediam as novelas e garantiam o segundo lugar de audiência. Na colocação geral, a Manchete era a segunda emissora mais vista do Brasil, desbancando o SBT.

No jornalismo, o “Documento Especial” inovou em formato e linguagem. Angélica ganhou outro programa, aos sábados, o “Milk Shake”, musical, direcionado ao público Jovem.Um enorme sucesso.

Com base no Rio, a Manchete era um bom contraponto à TV Globo. Do ponto de vista do mercado de trabalho, funcionários passeavam entre as duas emissoras. Sem o engessamento de grade e sem a obrigação de ter uma postura politicamente correta como a TV Globo, na Manchete as pessoas poderiam ousar, inovar, e por isso foi um celeiro tanto de talentos como de experimentação, que na prática, beneficava a própria Globo. Se algo desse certo, a líder já trazia da Manchete. Por outro lado, se algo não desse certo na Globo, a Manchete trazia o profissional, e lá ele tentava coisas novas. A relação, portanto, mesmo que velada, acabava na prática beneficiando as empresas.

Em 1989, Boni, da Globo, enviou uma nota à imprensa parabenizando a Manchete por uma entrevista exclusiva com Michael Gorbachev, levada ao ar no Jornal da Manchete. Nas palavras, Boni destacava, além do belo trabalho, que aquele tipo de concorrência era um modelo que deveria ser multiplicado, por ser saudável e um grande aprendizado para todos.

Bloch vende emissora pela primeira vez

Ana Raio e Zé Trovão garantiu o segundo lugar, mas gastou muito dinheiro. No ano anterior, a Manchete, mesmo endividada, havia inaugurado uma nova sede em São Paulo com o objetivo de ter uma base forte na cidade, e minimizar a imagem carioca. O projeto grandioso (como de costume), seria um dos ofensores para aprofundar a crise financeira.

A História de Ana Raio e Zé Trovão

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Sem os lucros imaginados com “Ana Raio” e sem dinheiro em caixa, qualquer outra empresa teria feito uma política de austeridade para recuperar seu poder de investimento. Mas fosse assim, não seria Manchete, e muito menos “manchete”. Os Blochs decidiram dobrar a aposta, na tentativa de repetir um fenômeno à la Pantanal, e lançaram a novela Amazônia, com dificuldades de logística muito piores que a caminhada de Juma, numa trama confusa e gastos que não condiziam com a realidade financeira.

Jayme Monjardim, diretor artístico responsável também pela dramaturgia, se desentendeu com a direção e deixou a Manchete antes da estreia da novela. Equipamentos caríssimos do cinema norte-americano demoraram a chegar, a novela atrasou, e com uma história que se passava no passado e futuro ao mesmo tempo, espantou o público, levando à fuga de anunciantes e médias decepcionantes de dois pontos de audiência (ante os vinte e cinco sonhados).Troca de autores, reviravolta na trama, nova abertura, e até uma mudança no título (Amazonia Parte II), fora armas de Tizuka Yamazaki para tentar salvar o projeto. De nada adiantaram. Poucos perceberam quando a trama chegou ao fim.

Sem saída, Bloch decide vender a emissora para o Grupo IBF, presidido por um proeminente empresário ligado ao então Presidente da República, Fernando Collor de Mello. Collor que, por sua vez, nutria enorme antipatia pela Manchete (Bloch apoiou Brizolla e desdenhou do então inexpressivo candidato do PRN).

Alegando que a situação financeira da emissora era pior do que fora divulgado durante as negociações de compra, o novo grupo controlador deixou de pagar a segunda parcela do acordo à família Bloch. E deixaria de pagar os funcionários em outubro daquele ano, e também parou de pagar ao Banco do Brasil as parcelas dos compromissos assumidos com o banco. A crise do grupo IBF coincidiu com a queda do Presidente Collor, que renunciaria em dezembro após meses de denúncias que também envolveram o empresário controlador da holding de formulários e raspadinhas.

Todas as grandes estrelas foram deixando a emissora e a audiência média caiu tanto que colocou a Manchete em sétimo lugar na média geral em São Paulo. Os programas mais assistidos eram o polêmico Documento Verdade e a sessão de filmes Cinema Nacional, na época sinônimo de “soft porn tupiniquim”. Greves começaram a pipocar nas cinco emissoras da rede. Até Clodovil Hernandez, a única grande estrela anunciada pela nova gestão, que levava ao ar praticamente a atração mais importante da nova grade, trocou de canal quando seu programa começou a ser afetado pela greve. A novela Ana Raio e Zé Trovão voltou ao ar usando fitas VHS do acervo pessoal de Jayme Monjardim porque os grevistas impediam o acesso ao arquivo da emissora no Rio. A crise chegou ao ponto do diretor de Esportes Alberto Leo ter que apresentar o Jornal da Manchete.

Institucional sobre a volta para os Blochs - 1993

Durante o período em que esteve nas mãos do Grupo IBF, vários artistas de peso saíram da Manchete: Leila Cordeiro, Eliakim Araujo, Otavio Mesquita e Angélica, foram para o SBT. Além disso, muitas emissoras afiliadas à rede passariam a transmitir a programção da Rede Record, que nesta época, estava em fase de expansão.

Blochs retomam a Manchete

A Manchete estava sem seus principais nomes, sem novela em exibição, e passou os anos de 93 e 94 com uma grade deficiente, sem audiência.

Em 94 Bloch decide apostar em produções indepententes e eventos esportivos, como a Copa do Brasil e Fórmula Indy. Lançou novelas que foram mal em audiência, e só conseguiu algum destaque com o lançamento dos Cavaleiros do Zodíaco. A série, exibida pela manhã e à tarde conseguia médias de 14 pontos, e era segundo lugar em audiência. Estimulou a emissora a investir no filão, lançando várias outras séries do gênero nos anos seguintes.

Investimentos e recuperação

Em 1995, a emissora começa a se reerguer. Lança a novela Tocaia Grande, baseada no romance de Jorge Amado, apostando que seria um grande sucesso. A novela decepciona no começo, a emissora resolve trocar a direção e o autor, e Walter Avancini assume a Direção de Dramaturgia, recheando a história de sensualidade, inclui novos personagens, e consegue alavancar a trama. Tocaia Grande chega ao fim quase um ano depois, com médias de 8 pontos e picos de 12.

Abertura de Tocaia Grande

Xica da Silva numa nova fase de sucessos

O grande lançamento deste ano, no entanto, seria a novela Xica da Silva. Cercada de estratégias de marketing, Avancini lança a novela em setembro daquele ano, apostando alto na repercussão da trama. O resultado foi um enorme sucesso. Com médias de 14/16 pontos, e picos de 22, a novela ficou quase um ano no ar e garantiu o segundo lugar absoluto no horário, tendo chegado à liderança em várias oportunidades.

Sobre a história da escrava que se tornava amante do homem mais poderoso do país no século XVIII, a novela entrou no ar trazendo Adriane Galisteu no elenco, com cantores em papéis importantes (Eduardo Dusek, Leci Brandão), atores veteranos, e deu repercussão a uma safra de novos talentos, como Murilo Rosa, Carla Regina, Guilherme Piva, Dalton Vigh, Giovana Antonelli, e os protagonistas Victor Wagner, Taís Araujo. Veteranos como Zezé Mota, Fernando Eiras, Miriam Pires, Carlos Alberto, Sergio Viotti, e a antagonista da trama Drica Moraes, fechavam o elenco. Ciciollina foi chamada para uma participação especial, e um mistério rondava os bastidores da trama: o autor da trama, elogiado pela trama que escrevia, era totalmente desconhecido. Adamo Angel, no decorrer da trama, foi desmascarado. Tratava-se de Walcyr Carrasco, então contratado do SBT, que assinava na Manchete sua primeira novela solo, com enorme sucesso.

Chamada de Estreia, abertura e chamadas da novela

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Em agosto de 1997, Xica da Silva dava lugar a Mandacaru, baseada na história do Cangaço. Com um início não muito animador, a trama dá uma guinada com a ascenção de um personagem secundário à condição de protagonista. Assim, Benvindo Siqueira toma o lugar de Victor Wagner e Carla Regina, e seu personagem Zebedeu, se torna o mais importante da novela, transformando a história em comédia. A novela se recupera, não tendo o mesmo sucesso de Xica, mas garantindo média de 8 pontos. A novel ficou quase um ano no ar.

O começo do fim: Copa e Brida agravam crise de 98

Nessa época, a dívida a Manchete levaria a emissora a investir cada vez mais em atrações de baixo custo e que trouxesse retorno financeiro. Em 97, a emissora lança atrações populares, como uma programação aos domingos com atrações de auditório e se apoiando nos serviços 0900, uma febre nessa época. Nasce uma parceria com o grupo TV ômega, especializado nestes serviços, arrendando a grade de domingo para a empresa de Amilcare Dallewwo. O “Domingo Milionário” consitia em atrações dursnte durante toda a tarde de domingo, sendo trocado posteriormente pelo “Domingo Total”. Otavio Mesquita, Virginia Novick, Marcelo Augusto e Thunderbird comandam atrações que atingiam o terceiro lugar em audiência.Mandacaru sai do ar e dá lugar a Brida.

Propaganda de lançaemnto da novela.

O investimento em um grande sucesso literário de Paulo Coelho, no entanto, decepciona. A novela atinge apenas 2 pontos em audiência, e mais uma vez Walter Avancini faz mudanças estruturais na tama. Com um acordo de risco com os anunciantes, a novela, sem atingir os 5 pontos mínimos do acordo, aumenta mais ainda o rombo financeiro. Neste ano, o Jornal da Manchete volta ao modelo de ter três edições quase idênticas diárias. O objetivo seria se torna uma emissora referência em notícias, e se tudo desse certo, seriam lançadas novas edições pela manhã e fashes durante toda programação.

No entanto, com a flutuação cambial, as dívidas disparam. Uma greve de funcionários começa nos meados daquele ano. As produções param, nomes de peso como Raul Gil e Marcia Peltier e Otavio Mesquita, saem rumo a outras emissoras. A greve atinge a produção de Brida. Sem capítulos para levar ao ar, a emissora interrompe a exibição da novela e apenas três meses.

Em maio de 1999, a Manchete foi definitivamente vendida, parte para a Hesed Participações e a para utra o grupo TV Ômega.

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