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Leila Cordeiro e Eliakim Araújo no auge do Jornal da Manchete

Com o carisma e prestígio do “casal 20” e o impulso de Pantanal, jornal se aproxima do espectador e registra suas maiores audiências.

Em agosto de 1989, Leila Cordeiro e Eliakim Araújo, então âncoras do Jornal da Globo, deixaram a emissora para assumirem o Jornal da Manchete (1a edição). A dupla, que já era de fato um casal na vida real, estava insatisfeita porque a antiga emissora resolveu separá-los por 13h no vídeo. E o motivo também não era bom.

Da Globo para a Manchete

Leila foi deslocada para o Jornal Hoje, e Eliakim permaneceu no JG. A mudança impactou também Leda Nagle e Marcos Hummel, que foram para o Bom Dia Rio. Os quatro, mais Cid Moreira, coincidentemente tinham se levantado contra a intensidade dos plantões, que estavam deixando os profissionais muito sobrecarregados. O troca-troca, naturalmente, foi encarado pelo grupo como represália.

Leila Cordeiro e Eliakim Araújo deram um jeito de Adolpho Bloch saber que queriam sair da Globo. Tão logo soube, Bloch fez a oferta. Foram contratados para apresentar o Jornal da Manchete, substituindo Carlos Bianchini. Num horário ainda melhor do que na Globo. O casal 20 permaneceria na nova emissora até fim de 1992, quando, com a crise da gestão do Grupo IBF, foram para o SBT.

Grande anúncio veiculado em jornais e revistas, em 1989
Leila Cordeiro e Eliakim Araujo no novo cenário do Jornal da Manchete, 1991

Carona

De quebra, Legda Nagle, também prejudicada com a dança das cadeiras, “foi no vácuo” do casal (palavras do próprio Eliakim), e passou a formar dupla com Bianchini no Edição da Tarde.

Jornal da Manchete, 1990

Renovação

O período que ficaram à frente do principal jornal da emissora foi também a época de ouro da Manchete, com novelas de sucesso, infantis vice-líderes e um show de jornalismo. A emissora, que até então já se destacava neste departamento, abriu ainda maior distância em relação às concorrentes. O jornalismo era ousado, inovador, e gozava de alta credibilidade.

Os repórteres chegavam antes e davam seguidos furos de reportagens. Nessa época a Manchete já suspendia a programação para exibir ininterruptamente qualquer acontecimento importante no país. O Jornal da Manchete era ágil, tinha comentaristas e repórteres renomados e correspondentes espalhados pelo mundo. Leila e Eliakim se consagraram como o Casal 20 do telejornalismo.

Evolução

Em 1991, o cenário dos monitores foi desativado, sendo substituído por uma tela azul no Jornal da Manchete. Este cenário “azul chapado” não durou muito tempo. Jaquito ordenou que o cenário voltasse a ter ao fundo os tradicionais monitores. Com essa nova mudança, a abertura e a logomarca do jornal mudaram de novo em poucos meses.

Além do Jornal da Manchete

O casal também liderou, no vídeo, a cobertura das Eleições de 1989 e 1992. E também desfilaram pela Manchete no Carnaval de 1990: Eliakim dividiu a locução com Paulo Stein, enquanto Leila atuou no time de repórteres da Sapucaí.

Leila Cordeiro e Eliakim Araujo no novo cenário do Jornal da Manchete, 1991
Leila Cordeiro e Eliakim Araujo no novo cenário do Jornal da Manchete, 1991

Divórcio

Em junho de 1992, a Manchete sofria com o fracasso de Amazônia, a recessão econômica e escândalos do último ano do governo Collor, e também com a escalada das dívidas com os bancos. Pressionado, Bloch decide vender o controle da emissora para a IBF no início de junho.

No dia da venda, Leila Cordeiro e Eliakim Araújo estavam de férias. A apresentadora havia entrado em licença maternidade em abril, e já somava dois meses longe da tela quando o novo grupo assumiu a gestão da empresa. Além disso, seus contratos venceriam no dia 30 daquele mês, deixando um clima de suspense no ar.

O casal fez mistério se renovariam ou não. Declaravam que a nova gestão não os tinha procurado para falar sobre o assunto. A Rádio JB do Rio os queria diariamente comandando um jornal em suas manhãs. Silvio Santos também disse que os queria no SBT.

No fim, acabaram renovando com a direção da Manchete, conseguindo um aumento de 60% em seus salários, além de uma residência paga pela empresa em São Paulo, onde funcionaria a nova geradora da rede. Assinaram um contrato curto, de um ano.

Em dezembro, porém, alegando falta de condições de trabalho, pediram a rescisão do contrato e fecharam com o SBT, onde substituiriam Lilian Witte Fibe, recém contratada pela Globo. Mesmo com contrato ainda vigente por seis meses, Leila e Eliakim não foram contestados porque de fato as condições na Manchete estavam ruins. Assim, logo assumiram suas funções no SBT já no início de 1993.

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