O maior jornal da TV

Com o dobro de tempo dos concorrentes, o jornal se propunha a se aprofundar e analisar os fatos relevantes do dia, com a participação de comentaristas, correspondentes internacionais, e co-apresentadores em SP e Brasília. Inovou desde a estreia, inspirado na BBC e na CNN, e foi o primeiro a ser ancorado da cidade-sede das Olimpíadas, em 1996.

“Videogame”, composta pelo Roupa Nova, era a música-tema do Jornal da Manchete

O Jornal da Manchete entrou no ar pela primeira vez em 6 de junho de 1983, um dia após a estreia da emissora (que ocorreu num domingo). O jornal tinha um papel muito importante na estratégia da emissora, sendo o carro-chefe da programação nos primeiros anos de funcionamento da rede. Se dividia em quatro segmentos que cobriam, respectivamente, cultura, esportes, notícias internacionais e, finalmente, as notícias do Brasil. Era literalmente o maior telejornal da TV, totalizando duas horas de duração, enquanto os telejornais das emissora na época tinham, no máxumo, trinta minutos.

Arte com Logos e titulares do Jornal da Manchete
Arte com os apresentadores titulares do Jornal da Manchete: Ronaldo Rosas(1) e Carlos Bianchinni(6), seguidos por Leila Cordeiro e Eliakim Araujo (2 e 3), e por último, Marcia Peltier(5). Carlos Chagas(4) sempre participou comentando Política e outras notícias de Brasilia.

Seguindo padrões estético e narrativo declaradamente inspirados na prestigiada BBC de Londres e na recém inaugurada CNN americana, tinha um cenário futurista, que deixava à mostra modernos equipamentos, e seus funcionários trabalhando livremente entre o “switch” e a redação . Totalmente prateado, remetia uma nave espacial, um padrão estético associado a alta tecnologia na época.

Cenário futurista do jornalismo no RJ
Cenário futurista do jornalismo no RJ

Com trilha sonora jovem, a canção Videogame, composta por encomenda a0 conjunto Roupa Nova, tocou pela primeira vez na TV dos brasileiros pontualmente às 19 horas. A música-tema do Jornal da Manchete foi uma das mais marcantes da TV, tendo permanecido no ar, inclusive, alguns meses após a venda da emissora em 1999 (durante o período de transição para a RedeTV!).

A proposta era cobrir as notícias com profundidade, analisadas por comentaristas de prestígio. Já no ano de estreia foi considerado pela crítica o jornal de maior credibilidade na TV, reconhecimento que se repetiria nos anos seguintes, oscilando entre o primeiro e o segundo lugar entre as emissoras não públicas.

Apresentado nos primeiros anos por Ronaldo Rosas e Carlos Bianchinni, em 1989 passou para as mãos de Leila Cordeiro e Eliakim Araújo, durante os anos de maior sucesso da Manchete. Em 1993, Marcia Peltier se tornou a titular, posição que ocuparia pelo cinco anos seguintes, até deixar a emissora durante sua última crise financeira. .

O jornal buscou inovar durante toda sua trajetória. Além do cenário revelando a redação ao fundo e do jeito mais conversado de mostrar as notícias e interagir com especialistas, o JM trazia frequentemente novidades nas vinhetas e no pacote gráfico, hábito que o manteve à frente do seu tempo. Foi também o primeiro a ser apresentado a partir da cidade sede de um grande evento esportivo mundial, as Olimpíadas de Atlanta em 1996 (e depois na Copa de 98) .

O último cenário, inaugurado em março de 1998, foi uma volta às origens. A bancada aparecia novamente integrada à redação, devidamente modernizada, atrás de um mapa-mundi transparente, pintado sobre um vidro, um dos mais elegantes da TV brasileira. Acabou sendo inspiração para o Jornal Nacional dois anos depois.

Por Diogo Montano

Diogo Montano é Bacharéu em Ciência da Computação, pós graduado em Gestão de Negócios, e trabalha há quase vinte anos unindo duas coisas que sempre gostou: comunicação e tecnologia. Cresceu assistindo à Globo e Manchete(imagens sem interferências na baixada fluminense), e em 1999, ainda antes de entrar na faculdade, publicou a primeira versão deste site, logo após a venda da emissora. Atualmente trabalha como PM(Product Manager) no Globoplay.

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