Estrutura da Manchete era das melhores do mundo

A Manchete investiu pesado em tecnologia, qualidade em imagem e som, num centro de produção integrado, em cidades cenográficas, levantando instalações completas capazes de produzir programas para toda a rede a partir do Rio e também de São Paulo.

Confira

Emissoras da rede

A Rede Manchete entrou no ar com três das suas cinco emissoras próprias, nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte; além de uma grande afiliada, a TV Pampa de Porto Alegre (as emissoras próprias de Recife e Fortaleza estrearam em fevereiro de 1984).

Nos meses seguintes, entrou em Brasília, Paraná, Vitória, se espalhou pelo Nordeste, Porto Velho e seguiu agregando mais e mais afiliadas e retransmissoras, chegando à terceira colocação em cobertura de sinal apenas dois anos após a sua estreia. O ápice ocorreria em 1991, quando chegou a quase 90% do território nacional. Confira todas as emissoras que passaram pela Rede Manchete.

A mais moderna TV do mundo

Logo na estreia, os equipamentos de última geração, importados dos EUA, faziam da Manchete a emissora de televisão mais avançada do mundo. Havia equipamentos recém-lançados a ponto de ter sido a primeira compradora de alguns, a nível mundial. Adolpho Bloch levou quase dois anos para montar toda essa estrutura.

Projetos gráficos ficavam por conta de uma divisão interna denominada Manchete Computer Grafics, liderada pelo americano Samuel Tolbert e também por Toni Cid Guimarães. Tolbert criou toda a instalação da emissora e implantou os grandes projetos de rede. Na época ele tinha uma emissora nos Estados Unidos e havia sido ainda o criador do sistema de micro-ondas que permitiu a transmissão da viagem do homem à Lua. O “Manchete Computers Graphics” foi um dos mais avançados departamentos gráficos do planeta durante toda a década de 80.

Controle
Sala de Controle no RJ

Cartão Postal

O prédio da editora Bloch, na zona sul carioca, imponente e localizado em frente ao Pão de Açúcar, já tinha sofrido uma grande obra na segunda metade da década de 1970. Na época, Adolpho Bloch comprou o casarão vizinho e mais que dobrou o já imponente edifício. A ideia era desativar a antiga sede da Bloch, localizada no Estácio, e estar preparada para abrigar as rádios que já estavam em seus planos. O empresário então construiu um prédio coligado, seguindo a arquitetura de Oscar Niemeyer. O edifício original já contava com um enorme teatro. Com a chegada do projeto da TV, as instalações precisariam de alguns ajustes para abrigar uma emissora de TV, mas já havia espaço para o principal.

No primeiro andar ficavam os estúdios. O quarto e quinto andares abrigavam, na ordem, a redação e a diretoria da TV. Por fim, no nono ficava a presidência do Grupo. Além disso, houve uma reforma no teatro Adolpho Bloch, para adequá-lo a gravação de programas de auditório, além de ser erguido um prédio anexo, atrás do edifício principal, para comportar mais dois estúdios e um estacionamento.

O primeiro centro de TV da América Latina

Mas a ideia de diminuir custos e agilizar a produção de programas já estava na visão de seus diretores. Antes mesmo da estreia, Oscar Niemeyer já teria desenhado um centro que concentrasse todas as etapas de produção. A Cidade da Televisão ficaria na Barra da Tijuca, próximo a Vargem Grande, região que vinha sendo projetada para ser o novo centro comercial e financeiro da cidade.

Imagem 21 de Estrutura da Rede Manchete - 21
Construção do CTAG – Complexo de Televisão de Água Grande (que seria a nova gráfica da Editora), em 1982

O projeto era caro, e não fazia sentido colocá-lo em prática na estreia. Mas o conceito foi aplicado dois anos depois, quando a Bloch resolveu re-designar o que seria sua futura gráfica para instalar o Complexo de Televisão de Água Grande.

A ideia foi de Mauricio Sherman, já que as minisséries de 1984 vinham sendo gravadas nos antigos estúdios da TV Tupi, alugados de sua massa falida. O complexo foi sendo adaptado para concentrar o máximo de etapas de produção e pré-produção de programas do entretenimento. Este modelo seria copiado mais tarde pela Globo (Projac) e pelo SBT (CDT da Anhanguera).

Cidades Cenográficas

Complementando as produções de , a emissora construiu sua primeira cidade cenográfica já em 1985/86, quando começou a gravar . Na época, usou um terreno em Santa Cruz, onde a Bloch planejava construir um novo parque gráfico. A televisão acabou ocupando o espaço até 1992, tendo gravado lá as cenas de externas de , e outras produções do período.

Em 1994, a emissora não possuía mais o terreno de Santa Cruz. Para produzir , comprou um novo terreno, em Maricá, região metropolitana do Rio. O atraso da licença do Ibama, inclusive, atrasou o início das gravações. Em Maricá foram feitas, além de Tocaia, e . Saiba mais sobre as cidades cenográficas da Manchete.

Novas instalações em São Paulo

Em janeiro de 1990, depois de dois anos de obras, a emissora inaugurou uma “mini sede” na cidade de São Paulo, ao custo de 25 milhões de dólares. O complexo resolveria o problema de espaço enfrentado pelo jornalismo paulistano, que funcionava num pequeno prédio do Sumaré (ao lado da torre de transmissão da emissora).

Mas também abriria portas para a produção de shows, tanto para a grade local como para a nacional, que poderia dar um sotaque menos carioca à rede; além de ajudar a desafogar os – cada vez mais concorridos – estúdios do Rio.

Nova sede Manchete SP em construção.
Nova sede Manchete SP em construção.

Em 1988, quando começou a construção do novo complexo, a Manchete produzia mais de 70% dos programas da grade nos seus prédios cariocas (Glória e Água Grande), um número enorme quando comparado ao que as outras emissoras produziam em relação a tudo o que exibiam.

Arquitetado por Oscar Niemeyer, o desenho fazia alusão a dois outros prédios do Grupo Bloch: os novos estúdios paulistanos eram uma versão ampliada das instalações antigas na cidade (Sumaré – SP). Ao lado, de forma transversal, uma versão reduzida do prédio-sede do Rio de Janeiro.

A nova sede também permitia abrigar a redação paulistana da Bloch, que funcionava em outra região da cidade. E, repetindo outra tradição, tinha no topo um grande logotipo da emissora.

Por Diogo Montano

Diogo Montano é Bacharéu em Ciência da Computação, pós graduado em Gestão de Negócios, e trabalha há quase vinte anos unindo duas coisas que sempre gostou: comunicação e tecnologia. Cresceu assistindo à Globo e Manchete, canais de tv que tinham as melhores imagens da região. Em 1999, ainda antes de entrar na faculdade, publicou a primeira versão deste site, logo após a venda da Manchete.

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