Mistério: arquivos da Manchete sumiram ou estão bloqueados?

Quando a empresa TV Manchete Ltda pediu falência logo depois da transferência dos cinco canais para a TV Ômega (RedeTV!), seus bens passaram automaticamente a compor a massa falida da empresa, que junto com as obrigações financeiras (dívidas) deveriam ser “identificados” para que a venda desses bens (neste caso os bens vão a leilão) paguem o máximo de dívidas possível. Em 2005, reza a lenda, os arquivos foram arrematados nestes leilões. Foi aí que , e Ana Raio passaram às mãos de João Paulo Vallone, que as revendeu ao SBT.

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Mas parece que o restante dos arquivos não interessavam a seus compradores e, semanas depois, quase 5 mil apareceram na porta da TV Cultura de São Paulo. A emissora pública tratou de limpar e catalogar as fitas, para tentar recuperar e armazenar o acervo. Mas antes de começar o processo de digitalização, que exigiria investimento financeiro, a Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV pública paulista, se deparou com uma questão de difícil solução: a quem deveriam pagar direitos autorais e conexos caso decidissem reprisá-los na programação?

A TV Cultura fez um orçamento para digitalizar todo este acervo, chegando à cifra de 8 milhões de reais. Mas a licitação para obter recursos de patrocínios e/ou leis de incentivo acabou sendo negado por causa da dúvida acerca dos direitos.

Descobriu-se, no entanto, que as fitas compunham o acervo da Manchete São Paulo, e portanto, eram uma parte dos arquivos. A quantidade era considerável para uma filial, porque, entre 1992 e 1993, a geração da rede foi feita a partir da capital paulistana. Parte das fitas do Rio foram duplicadas e enviadas para a cidade. Com esta constatação, as duvidas sobre o paradeiro dos arquivos do Rio, a matriz, voltou a representar um dos maiores mistérios do fim da emissora.

As obras só passam a ter domínio público 70 anos depois de levadas ao ar, o que começaria a ocorrer somente em 2053 e gradativamente os conteúdos poderiam ser veiculados conforme fossem completando este tempo de vida (já que o acervo tem imagens desde 1983 a 1999.

*Com informações de matéria publicada em O Globo, em 2013 por Cristina Tardáguila.

Por Diogo Montano

Diogo Montano é Bacharéu em Ciência da Computação, pós graduado em Gestão de Negócios, e trabalha há quase vinte anos unindo duas coisas que sempre gostou: comunicação e tecnologia. Cresceu assistindo à Globo e Manchete(imagens sem interferências na baixada fluminense), e em 1999, ainda antes de entrar na faculdade, publicou a primeira versão deste site, logo após a venda da emissora. Atualmente trabalha como PM(Product Manager) no Globoplay.

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