Documento Especial: Televisão Verdade

O Documento Especial entrou no ar em agosto de 1989, numa quarta-feira, às 23h30, apresentado por Roberto Maia, até então apresentador do Jornal da Manchete 2a Edição. A direção era de Nelson Hoinnef, editor chefe do telejornal de fim de noite, e também um dos figurões do jornalismo da emissora.

Logo do programa

O diretor discutiu com o diretor nacional de jornalismo, Mauro Costa, e pediu demissao para o então diretor de operações da emissora, Pedro Jack Kapeller. Kapeller não aceitou a demissão e pediu para Hoineff apresentar um projeto novo. Hoinneff então viu espaço para colocar em prática um incômodo antigo: “gente feia não aparecia na Manchete”, segundo suas próprias palavras em entrevista recente ao site TV História. Jaquito ficou impressionado positivamente com a ideia e autorizou o projeto.

Vinheta de Abertura

Primeira abertura do programa na TV Manchete, em 1989

Com um formato similar ao consagrado Globo Repórter, o programa abordava semanalmente um assunto da atualidade em 30 minutos de duração. A diferença principal, porém, estava na linguagem abordada, sem os limites estéticos da atração global. O programa se propunha a ir muito além do que normalemnte os programas jornalísticos mostravam na TV, dando prioridade para assuntos polêmicos, guetos, submundos e abusando de cenas fortes. A proposta era mostrar a realidade nua e crua. Para marcar esse posicionamento, adotou desde a estréia a assinatura “Televisão Verdade”.

Roberto Maia no Documento Especial
Roberto Maia no Documento Especial

O resultado veio rápido. De traço de audiência no horário, a Manchete atingiu 2 pontos logo na estréia. As edições seguintes tiveram números crescentes, e no final do primeiro mês, o programa marcou 9 pontos no Ibope.

Devido ao sucesso de público e crítica, o “Documento” rapidamente deixou a faixa das 23h30(pós linha de shows), sendo transferido para as sextas-feiras, às 22h40, logo após a novela principal da emissora (Kananga do Japão, Pantanal, Ana Raio e Zé Trovão, O Fantasma da Ópera e Amazônia, respectivamente). Além disso passou a ter uma hora de duração, em um horário com um maior número de televisores ligados, e recebendo a audiência das novelas que o antecediam (Pantanal, o maior sucesso, chegou a pico de 51 pontos). Além disso, na Globo, era o horário do término do Globo Repórter. Naturalmente o público que assistia às novelas da Manchete se somava aos telespectadores de programas jornalísticos que assistiam ao programa global, levando o “Documento” à liderança de audiência em diversas edições, atingindo pico de 47 pontos no Ibope.


Em maio de 1992, em meio a uma das maiores crises financeiras da Manchete que culminaria no mês seguinte na sua fracassada venda para o Grupo IBF, Nelson Hoineff aceita o convite de Silvio Santos para transferir o programa para o SBT.  SS ofereceu a Nelson Hoineff dez vezes o salário da Manchete, e o diretor colocou como condição que toda equipe fosse contratada com aumento substancial, e o programa continuasse sendo feito no Rio de Janeiro. Silvio topou. No SBT, porém, experimentaria censura e interferências da direção da emissora, o que desgastaria e desmotivaria o diretor três anos mais tarde.

A Manchete então recorreu a uma versão “genérica”, mas com plástica idêntica ao programa original, denominado “Manchete Especial Documento Verdade“. Logotipo, cenário, tipografia, linguagem e até a voz do seu apresentador (Henrique Martins), eram muito semelhantes ou idênticos ao programa original.

Entre 1989 e 1992, se destacaram as edições Os pobres vão à praia(com imagens de preconceito explícito e de um homem morto), Muito feminina (abordando a homossexualidade feminina), Luta livre, O suicídio dos indios Kaiowá, Amor, Vida de gordo (a maior audiência conquistada pelo programa, em 1990), Igreja Universal (a primeira vez em que práticas escusas da Igreja Universal do Reino de Deus eram denunciadas), entre outros.