Programa de Domingo: uma revista em movimento

A revista eletrônica dominical da Manchete, entre 1984 e 1998, tinha de tudo um pouco. Dirigida às classes A e B, dava mais espaço para a cultura, e trazia quadros e reportagens variadas, além dos fatos mais importantes da semana.

O foi uma revista eletrônica exibida entre 19h e 22h30, ao longo de seus 15 anos, com duas horas de duração em média, que misturava jornalismo, entretenimento e até ficção. Se propunha a ser um programa leve, onde tudo o que fosse de interesse de uma audiência qualificada poderia existir.

Batia de frente com o Fantástico, da Globo e, com formato similar, seria impossível não compará-los. Podemos dizer que o Programa de Domingo era um Fantástico sem Hans Donner (sem pirotecnias visuais). Também tinha uma abordagem menos impactante, menos denunciosa, tratando as matérias com mais leveza e com a visão otimista que era uma característica editorial do grupo. O Programa de Domingo fazia coberturas maiores e menos apressadas de matérias culturais. E também tinha mais quadros e colunistas, independentes entre si.

O objetivo inicial, foi explicado por seu criador, Fernando Barbosa Lima, que na época era dono da Intervídeo com Roberto D’Ávila, a dupla que vinha sendo reconhecida e premiada pelo na emissora (e Canal Livre, anos antes pela Band), da seguinte forma:

“A idéia é transformar a noite de domingo numa verdadeira opção de lazer e informação, para jovens e telespectadores A e B, que representam 90% do poder aquisitivo do país e são formadores de opinião. Empresários, artistas, políticos, profissionais liberais e estudantes.”

Fernando Barbosa Lima, diretor do Programa de Domingo, em 1984


Estreia

Roberto D’Ávila comandava o programa Diálogo na Rede Manchete desde 1983, sempre às 22h dos domingos. O jornalista debatia os temas da semana com outros participantes e uma personalidade em participação especial. Ao longo de 1984, D’Ávila ganhou a companhia fixa de Maitê Proença na apresentação do programa, agregando temas culturais junto aos fatos da semana. Ao longo daquele ano, foi cada vez mais se assemelhando a um formato de revista, e adotou a assinatura: “Diálogo, uma revista em movimento“.

Estreia: Abertura e trecho do Programa de Domingo - 1984

Em 11 de novembro, começou oficialmente o Programa de Domingo, uma versão maior do Diálogo, que passou a começar às 20h e adaptou o título à diversidade que se propunha a abordar. O novo programa nasceu com três horas e meia de duração no primeiro domingo, durante o qual vários quadros mostravam de tudo um pouco, do resultado da loteca e os gols da rodada a quadros de entretenimento, opiniões, reportagens, música e a estreia de Roberta Close como entrevistadora, herdando o quadro bigclose.

A Dança dos Políticos, do antigo Diálogo, continuou, em edição revista e aumentada. A beleza de Maitê Proença também, agora conversando (o primeiro foi Moraes Moreira) em tom informal e mostrada em outros ângulos. Tinha quadros de Marília Pêra, Dina Sfat, Juca de Oliveira, Plínio Marcos, etc… Marília, aliás, era das mais entusiasmadas: “É maravilhoso a gente ter liberdade total para criar um quadro, como estou tendo“. Outra dama do teatro de da TV, a atriz Dina Sfat, também se mostrava surpresa com seu quadro, onde conversava com pessoas do povão para entender as emoções que estavam atravessando no momento.

Imagem de Jornalismo da Rede Manchete -

Estarei falando com gente que faz parte das multidões, num supermercado ou numa praia. E fiquei fascinada com a reação dessas pessoas: a sinceridade delas me impressionou muito“.

Dina Sfat, sobre o quadro que teria no Programa de Domingo

Os acontecimentos do dia ficavam por conta do Departamento de Jornalismo da Rede Manchete, centralizado no Rio, mas acionando todos os correspondentes, no resto do Brasil e do mundo, inclusive teipes da CBS dos Estados Unidos e da BBC de Londres.

Na parte musical, o Programa de Domingo de estreia mostrou Lobão e os Ronaldo, conjunto que estava entre os maiores ídolos da juventude na época, e Miles Davis num primoroso clipe de Nova Iorque.

Em movimento

Na semana seguinte, dia 18 de novembro, o Programa de Domingo destacou o quadro Persona, onde Roberto D’Ávila entrevistava brasileiros importantes, em um programa independente exibido na sequência. A grade do domingo dali adiante ficou então, com o Programa de Domingo, às 20h, e o Persona, às 22h30.

Em 1985, Renee de Vielmont passou a apresentar o programa. Meses depois, Lucia Verissimo e Reinaldo Gonzaga passaram a apresentar o programa. Em 26 de maio do mesmo ano, Xuxa estreou um quadro onde contava histórias para adultos.

Em 1986, entra em cena o quadro “Os Olhos de Marisa, da fotógrafa Marisa Alvarez de Lima. O programa ganha a apresentação de Bia Seild e Paulo Figueiredo.

Em 1987, Leila Richers passa a apresentar o programa. Em 1989, Miriam Leitão passa a ser comentarista econômica, e Carolina Ferraz se torna apresentadora do programa.

Com a ida de Carolina para , onde viveu a personagem Irma na primeira fase, Leilane Neubarth assume seu lugar ao lado de Paulo Alceu em 1990.

Ainda em 1990, no fim do relacionamento com Roberto Carlos. Myriam Rios produziu uma série de entrevistas com brasileiros que viviam nos EUA para o Programa de Domingo. O resultado agradou tanto que ela fez outras entrevistas, não somente com brasileiros.

Abertura Programa de Domingo 1989-1993

Em 1992, Luciane Adami apresentava o programa.

Em 1993, o Programa de Domingo foi substituído pelo Domingo Forte, que, apesar de novo nome e nova apresetadora, tinha o mesmo formato. Lucia Abreu foi a escolhida.

Lucia Abreu apresentou o Domingo Forte, de 1993 a 1994
Lucia Abreu apresentou o Domingo Forte, de 1993 a 1994

Em 1994, porém, o Programa de Domingo retornou, com Ronaldo Rosas e Katia Maranhão na apresentação. O cenário, desta vez, era parte do Museu da Manchete, localizado no saguão da emissora, com diversas obras de arte. A abertura fazia um passeio no museu. A trilha sonora, era a música clássica PICTURES AT AN EXHIBITION – PROMENADE, com a Royal Philharmonic Orchestra.

Abertura Programa de Domingo 1994


Em 1995, Katia Maranhão deu lugar a Georgia Wortman.

Em março de 1996, o programa leva ao ar um especial sobre as gêmeas siamesas Abigail e Britany, e marca 10 pontos das 19h às 21h30.

Em maio de 1996, o programa estava na berlinda. Fernando Barbosa Lima, o diretor geral da Manchete, queria substitui-lo pelo “O Grande Juri“, que estreava naquele ano. Mas segundo o diretor, a emissora recebeu telefonemas pedindo pela continuação do programa, e a grade foi acomodada para que ele permanecesse com 1 hora de duração. Foi a melhor coisa que ele fez porque o novo programa ficou poucas semanas no ar. Não agradou. Em junho, o programa de domingo voltou a usar a abertura, logo e pacote gráfico de 1989, atualizada.

Abertura Programa de Domingo 1996

Em setembro, Ronaldo Rosas deixou o programa para apresentar o de segunda à sexta.

A revista dominical ficou um bom tempo às 19h, entregando para Toque de Bola ou Conexão Roberto Dávila e até para filmes da Sessão Extra. Em 1997, no entanto, voltou a ter duas horas de duração. Nessa época, Georgia Wortman era a única apresentadora.

Em 1998 ganhou um quadro com Pedro Bismark, e o novo diretor de jornalísticos, Hermes Leal, prometia mudanças interessantes, como o quadro Garota Ele e Ela. Mas a crise da Manchete bloqueou qualquer novo investimento.

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