Seriado baseado nas tirinhas de Luís Fernando Veríssimo, que na época faziam sucesso em vários jornais do país. Era apresentada de segunda a sexta, às 20h, e cada episódio tinha meia hora de duração.
Permaneceu no ar de 9 de agosto de 1993 a fevereiro de 1994. Criada por Regina Braga e Márcio Tavolari, foi escrita pela dupla com a colaboração de Carlos Eduardo Novaes. Foi dirigida por Henrique Martins, sob direção-geral de Marcos Schetchmann.
A série se propunha a ser factual, ou seja, girava em torno dos acontecimentos da época, dando repercussão às notícias da vida real. Por isso os episódios eram gravados e exibidos no mesmo dia: pela manhã os atores recebiam o texto, se reuniam para leitura às 14h, gravavam, e às 19h o programa estava nos últimos retoques para entrar no ar às 20h. Às 20h30, o último bloco terminava com a família assistindo ao início do Jornal da Manchete, que de fato entrava no ar na vida real.
Menos de dois meses após a estreia, o seriado foi reformulado. Carlos Eduardo Novaes assumiu a supervisão de texto. A fria discussão dos fatos do dia, que soava falsa e sem graça, deu lugar à crônica do cotidiano da classe média brasileira. O novo responsável pelo texto achava que uma série de ficção não pode ser pautada completamente pela vida real, pois se limitaria e ficaria refém da atratividade que os acontecimentos gerariam.
Os episódios passaram a ser autocontidos e, como qualquer série de ficção, com histórias menos atreladas aos fatos do dia. Assim, o humor pode aparecer como em comédias de costumes. A crítica política não foi abandonada, mas deixou de ser obsessão. O perfil de quase todos os personagens foi alterado. Tonho (Carlos Gregório), por exemplo, deixou de ser de esquerda, e Bete (Sílvia Massari) perdeu o emprego para ficar mais fútil e burrinha.
Os episódios passaram a ser gravados semanalmente, e não mais no dia que eram exibidos. As modificações atingiram ainda o elenco: Danton Melo foi transferido para o elenco da novela Guerra Sem Fim, e Helmício Fróes, que vivia o vovô Vicente, desapareceu da trama.
Em compensação, a família ganhou uma nova componente: a professora Norma, vivida por Betina Vianny, a irmã politizada e culta de Tonho, que vai morar com ele depois de uma desilusão amorosa.
O seriado passou a ser exibido às 21h30.
Chamada Família Brasil - Novo Horário
SINOPSE
Um retrato fiel da classe média, a família Brasil, como o nome sugere, é tipicamente brasileira. A mãe é Elizabeth, que largou a faculdade de Economia para cuidar dos filhos, mas que agora trabalha na própria empresa de eventos. Ela é irmã de Eugênio, que vive filando o jantar.
O pai deles, Vicente, mora com Beth. Ele adora uma discussão e passa os dias em filas do INSS. É o sogro de Antônio Carlos, um engenheiro de minas especializado em hidrogeologia e inconformado com a seca do Nordeste. Militante de esquerda nos anos 60, agora sua posição política tende para as posições politicamente corretas.
Léo é o caçula maníaco por computadores que vive implicando com a irmã Tatiana, uma cara-pintada que sonha em ser atriz. Ela namora Grilo, um ecomaníaco, filho de ex-hippies. A família não viveria sem a empregada Berê, uma mineira virgem, messiânica convicta. Ela vive implicando com o porteiro Delmiro.
Um pai que sofre vendo o salário acabar e o mês insistir em continuar; uma filha que preza o amor acima de tudo, inclusive acima dos rendimentos do pai, que sustenta o revezamento de genros em sua casa; um neto curioso em relação ao mundo, coisa que o avô já não sabe mais explicar, se é que soube um dia.
ELENCO
- CARLOS GREGÓRIO – Antônio Carlos (Tonho)
- SILVIA MASSARI – Elisabete (Bete)
- HEMÍLCIO FRÓES – Vovô Vicente
- MARCOS WAIMBERG – Eugênio
- DANTON MELLO – Grilo
- NÍVEA STELLMAN – Tatiana
- DANIEL ÁVILA – Leonardo
- LUIZ CARLOS BAHIA – Delmiro
- BETTY ERTHAL – Berenice
- BETTINA VIANNY – Professora Norma
- EDMUNDO ALBRECHT
Fontes:
- Jornal O Globo, 08 de Agosto de 1993, Revista da TV, página 13
- Jornal O Dia, 26/09/1993
- https://teledramaturgia.com.br