Sobre a novela Kananga do Japão

Elogiada pela crítica e vice-líder de audiência durante sua exibição, Kananga do Japão foi a primeira novela sob gestão artística de Jayme Monjardim na emissora, e reposicionou à Manchete como referência em superproduções do gênero.

A partir de agosto de 1989, uma novela colocaria de volta a TV Manchete no caminho das superproduções. Idealizada por Adolpho Bloch, estreava Kananga do Japão, que, além de ocupar a vice-liderança de audiência, repercutiu positivamente , se mostrando logo no começo como um sucesso de crítica e público.

Com um trabalho minucioso, a equipe da novela reconstituiu, em tamanho real, a Praça Onze da década de 30. A cidade cenográfica foi construída em Guaratiba, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Cidade cenogáfica de Kananga do Japao
Cidade cenogáfica de Kananga do Japao

No início de 1989, Adolpho Bloch conversou com Carlos Heitor Cony sobre a realização de um antigo projeto de sua própria autoria, e pediu ao escritor que fizesse uma sinopse baseada em experiências que vivenciou na juventude. Aprovada a sinopse, o desenvolvimento da ficou a cargo de Wilson Aguiar Filho, o mesmo de . Teve a direção-geral de Tizuka Yamazaki, sendo também a primeira novela sob gestão artística de Jayme Monjardim na emissora.

Com fatos históricos, trama romântica leve e uma direção de primeira qualidade, a novela registrou média de 15 pontos de audiência. Foi um sucesso de público e principalmente de crítica, que contribuiu para a consolidação da emissora naquela época. Crescimento esse que culminaria na explosão do sucesso Pantanal, que viria a seguir.

O elenco tinha atores consagrados como Christiane Torloni, Raul Gazolla, Tônia Carrero, Paulo Autran, Nelson Xavier, Rosamaria Murtinho, Lucia Alves, Carlos Alberto, Antonio Pitanga, Zezé Motta, Sergio Viotti, Tarcisio Filho, Yara Lins e Elaine Cristina. A novela também revelou novatos, alguns deles em seu primeiro trabalho em , como Cristiana Oliveira, Daniela Perez, Giuseppe Oristânio, Via Negromonte, Tatiana Issa, Ana Beatriz Nogueira, Julia Lemmertz e Paulo Gorgulho.

A novela misturava ficção e realidade. O pano de fundo era o movimento musical dos anos 30, o que proporcionou um tom mágico ao projeto. No entanto, o autor soube costurar o folhetim com os principais momentos da história do país no período retratado, tendo seus personagens vivenciado eventos como a Intentona Comunista de 1935. O movimento influenciou bastante o roteiro. Os atores Cassiano Ricardo e Bettina Vianny encarnaram Carlos Prestes e Olga Benário, personagens da trama e da História.

Foi reprisada duas vezes, em 1990 e 1997, às 19h30 nas duas reapresentações.

Por Diogo Montano

Diogo Montano é Bacharéu em Ciência da Computação, pós graduado em Gestão de Negócios, e trabalha há quase vinte anos unindo duas coisas que sempre gostou: comunicação e tecnologia. Cresceu assistindo à Globo e Manchete(imagens sem interferências na baixada fluminense), e em 1999, ainda antes de entrar na faculdade, publicou a primeira versão deste site, logo após a venda da emissora. Atualmente trabalha como PM(Product Manager) no Globoplay.

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