A primeira fase do Jornal da Manchete

Com Ronaldo Rosas e Carlos Bianchinni, o JM foi o carro-chefe da programação durante os primeiros meses da Manchete, se aprofundando nas notícias, e com a participação de analistas de renome. Uma tendência que seria rapidamente incorporada pelas concorrentes.

O Jornal da Manchete estreou no primeiro dia útil de operação da TV Manchete, na posição de “carro-chefe” da programação do novo canal. O noticiário representava o próprio posicionamento da emissora, que buscava unir conteúdo de alto nível, roupagem moderna e padrão internacional, adotando como confessas referências a premiada BBC de Londres e a então recém-inaugurada CNN americana.

Imagem de Jornal da Manchete da Rede Manchete -
Cenário futurista do jornalismo no RJ

O telejornal tinha surpreendentes duas horas de duração, entrando no ar de segunda a sábado, das 19h às 21h10. Era composto por quatro segmentos especializados, distribuidos da seguinte forma:

  • 19h: uma grande “escalada”, com o resumo das principais notícias.
  • 19h05: Manchete Panorama: segmento sobre Cultura, artes e espetáculos. Apresentado por Iris Littieri e Jacyra Lucas.
  • 19h30: Paulo Stein apresentava a , se revezando com Alberto Leo.
  • 20h às 21h: Ronaldo Rosas e Carlos Bianchini apresentavam o segmento principal, com as notícias do mundo e do Brasil, nesta ordem. Eram levadas ao ar matérias mais detalhadas que nos jornais concorrentes. As mas importantes eram analisadas por comentaristas prestigiados como Carlos Chagas, Villas Boas Correa.

Meses depois, Manchete Panorama e Manchete Esportiva se tornaram oficialmente programas independentes, com vinte minutos cada. Começavam às 19h e 19h20, respectivamente. Às 19h40 entrava o Jornal da Manchete, que passou a ter 1h30 com as notícias do Brasil e do mundo. Em 1984, o JM voltou a ter 1h, permanecendo assim com o dobro de tempo dos principais telejornais das emissoras concorrentes. Foi o mais longo telejornal da faixa nobre da TV até a última crise da emissora, em 1998.

Chamada do JM em 1984

Premiado

Ao fim do primeiro ano, o telejornal ganhou o Prêmio APCA de melhor telejornal e de maior credibilidade. Durante toda a sua existência continuaria sendo percebido pelo público como o jornal de maior credibilidade, segundo pesquisas Vox Populi publicadas em 1989, 1990 e 1997.

Era comum o jornal mostrar análises de comentaristas com posições políticas opostas. O prestígio fazia com que tivesse audiência robusta, mesmo quando batia de frente com a novela das oito da Globo. Durante Roque Santeiro(1985), por exemplo, registrava médias em torno de 10 pontos. O desempenho aumentava conforme a força do conteúdo.

Em 1987 Ronaldo Rosas deixou a Manchete, e Carlos Bianchinni continuou apresentando o telejornal até 1989, sem um substituto para a vaga de Rosas.

Em 1989 assumiram Leila Cordeiro e Eliakim Araújo. Bianchinni foi para o Jornal da Manchete Edição da Tarde, reformulado, ao lado de Leda Nagle, que assim como Leila e Eliakim, deixou a Globo rumo à Manchete.

Por Diogo Montano

Diogo Montano é Bacharéu em Ciência da Computação, pós graduado em Gestão de Negócios, e trabalha há quase vinte anos unindo duas coisas que sempre gostou: comunicação e tecnologia. Cresceu assistindo à Globo e Manchete(imagens sem interferências na baixada fluminense), e em 1999, ainda antes de entrar na faculdade, publicou a primeira versão deste site, logo após a venda da emissora. Atualmente trabalha como PM(Product Manager) no Globoplay.

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