Tiririca tentou ser “Chaves” da Manchete

A partir de outubro de 1997, o palhaço Tiririca comandou uma sitcom de segunda a sexta das 18h30 às 19 h. Protagonizada pelo artista, contava com sua família e amigos próximos no elenco. Era produzido pela própria Manchete, em seu Complexo de Televisão, no Rio de Janeiro.

A se passava em uma vila cheia de sobrados, onde Tiririca resolve construir um barraco para morar com a família, que não é exatamente fictícia. A mulher, o irmão, um cunhado, um compadre e até uma velha amiga faziam parte do elenco.

Vila do Tiririca custou R$ 5 mil por episódio, valor baixíssimo se comparado aos R$ 40 mil por capítulo das , para promover um humor bem pastelão, capaz de seduzir as crianças, numa produção semelhante a teleteatro, com histórias de ficção misturadas a episódios reais da vida de Tiririca. “Vamos tentar resgatar um humor no estilo Os Trapalhões e Chaves”, assegurava Ewaldo Ruy, que dirige o programa ao lado de Luis Toledo.

A turma tem ainda Toni de Abreu, de cinco anos, e até uma cachorra beagle, Piaçava. Com um figurino sujinho, o menino de olhos azuis e sem dentes na frente lembra o companheiro de Charles Chaplin no filme O garoto e deve comover o público infantil.

Mas o personagem que deve causar sensação é Florentina, interpretada por Tânia Moraes, a personificação da personagem da música que impulsionou a venda de 400 mil cópias do primeiro CD de Tiririca. A personagem é a moradora mais ilustre da Vila do Tiririca. Ela era uma espécie de síndica da vila. A atriz estava fora da tevê havia seis anos desde que deixou o programa Viva a noite, no SBT e não titubeou na hora de aceitar o convite da Manchete.

O interesse repentino da emissora em fazer um programa infantil com Tiririca surgiu . O cantor participou do , que conta a carreira de artistas, e atingiu a melhor audiência programa: 12 pontos. A Manchete resolveu acreditar no projeto. “Só temos de ter paciência, porque é uma turma de circo e não tem vivência na tevê”, disse o diretor Ruy, que se disse surpreso com a naturalidade de Tiririca nas primeiras gravações. “Ele improvisa muito bem”, elogia.

O objetivo dos diretores era triplicar os três pontos no Ibope normalmente obtidos no horário do programa. “Queremos dois dígitos de audiência”, afirma Ruy. A idéia era estrear com 10 episódios prontos e manter o adiantamento para não atrapalhar a carreira de cantor de Tiririca, que ganharia R$ 30 mil mensais mais participação no merchandising.

Humilde e prestativo, Tiririca estava feliz com o novo programa. Mas a atração, que estreou em outubro de 1997, saiu do ar em fevereiro de 1998 porque, segundo justificou a emissora, a audiência de cinco pontos não compensava o custo de produção do seriado.

Por Diogo Montano

Diogo Montano é Bacharéu em Ciência da Computação, pós graduado em Gestão de Negócios, e trabalha há quase vinte anos unindo duas coisas que sempre gostou: comunicação e tecnologia. Cresceu assistindo à Globo e Manchete(imagens sem interferências na baixada fluminense), e em 1999, ainda antes de entrar na faculdade, publicou a primeira versão deste site, logo após a venda da emissora. Atualmente trabalha como PM(Product Manager) no Globoplay.

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