Estrutura grandiosa assustou rivais, mas prejudicou equilíbrio financeiro

A Manchete entrou no ar com cinco emissoras próprias, nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza e Recife; além de uma grande afiliada, a TV Pampa de Porto Alegre. Nos primeiros anos a rede seguiu agregando mais e mais afiliadas e retransmissoras, chegando à terceira colocação em cobertura de sinal apenas dois anos após a sua estreia. O ápice ocorreria em 1991, quando chegou a quase 90% do território nacional.

A TV mais moderna do mundo

Logo na estreia, os equipamentos de última geração, importados dos EUA, faziam da Manchete a emissora de televisão mais avançada do mundo. Havia equipamentos recém-lançados a ponto de ter sido a primeira compradora de alguns, a nível mundial. Adolpho Bloch levou quase dois anos para montar toda essa .

Projetos gráficos ficavam por conta de uma divisão interna denominada Manchete Computer Grafics, liderada pelo americano Samuel Tolbert e também por Toni Cid Guimarães (atualmente na Globo). Tolbert criou toda a instalação da emissora e implantou os grandes projetos de rede. Na época ele tinha uma emissora nos Estados Unidos e havia sido ainda o criador do sistema de micro-ondas que permitiu a transmissão da viagem do homem à Lua. O “Manchete Computers Graphics” foi um dos mais avançados departamentos gráficos do planeta durante toda a década de 80.

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Construção da segunda metade do prédio da Bloch, em 1982

O prédio da editora Bloch, na zona sul carioca, seria muito pequeno para receber a emissora. Bloch, então, comprou um casarão ao lado para construir um prédio coligado, de forma que parecessem um único edifício. Naturalmente o projeto foi assinado pelo seu amigo pessoal, Oscar Niemeyer, que costumava fazer todos os projetos da empresa. Com o “puxadinho” pronto, mais que dobrou a área da já imponente sede da Bloch Editores, em plena Praia do Flamengo, com vista limpa para o Pão de Açúcar. .

No primeiro andar ficavam os estúdios. O quarto e quinto andares abrigavam, na ordem, a redação e a diretoria da TV. Por fim, no nono ficava a presidência do Grupo. Além disso, houve uma reforma no teatro Adolpho Bloch, para adequá-lo a gravação de programas de auditório, além de ser erguido um prédio anexo, atrás do edifício principal, para comportar mais dois estúdios e um estacionamento.

O primeiro centro de TV da America Latina

Mas a ideia de diminuir custos e agilizar a produção de programas já estava na visão de seus diretores. Antes mesmo da estreia, Oscar Niemeyer já teria desenhado um centro que concentrasse todas as etapas de produção. A Cidade da Televisão ficaria na Barra da Tijuca, próximo a Vargem Grande, regiao que vinha sendo projetada para ser o novo centro comercial e financeiro da cidade.

O projeto era caro, e não fazia sentido colocá-lo em prática na estreia. Mas mas o conceito foi aplicado dois anos depois, quando a Bloch resolveu aproveitar enormes galpões de armazenagem de papel para construir o Complexo de Televisão de Água Grande. Este modelo seria copiado mais tarde pela Globo (Projac) e pelo SBT (CDT da Anhanguera).

Meio carioca, meio paulistana

Em janeiro de 1990 a emissora inaugurou uma “mini sede” na cidade de São Paulo, a um custo de 25 milhões de dólares. O edifício resolveria o problema de espaço enfrentado pelo jornalismo paulistano, que ainda funcionava no pequeno prédio do Sumaré (onde ficava a torre de transmissão da emissora).

Mas também abriria portas para a produção de shows, tanto para a grade local como para a nacional, que poderia dar um sotaque menos carioca à rede e também ajudaria a desafogar os – cada vez mais concorridos – estúdios do Rio.

Em 1988, quando começou a construção do novo complexo, a Manchete produzia mais de 70% da grade nos seus prédios cariocas (Glória e Água Grande), um número enorme quando comparada às outras emissoras.

Arquitetado por Oscar Niemeyer, o desenho fazia alusão a dois outros prédios do Grupo Bloch: os novos estúdios paulistanos eram uma versão ampliada das instalações antigas na cidade (Sumaré – SP). Ao lado, de forma transversal, uma versão reduzida do prédio-sede do Rio de Janeiro. A nova sede também permitia abrigar a redação paulistana da Bloch, que funcionava em outra região da cidade. E, repetindo outra tradição, tinha no topo um grande logotipo da emissora.

Por Diogo Montano

Diogo Montano é Bacharéu em Ciência da Computação, pós graduado em Gestão de Negócios, e trabalha há quase vinte anos unindo duas coisas que sempre gostou: comunicação e tecnologia. Cresceu assistindo à Globo e Manchete(imagens sem interferências na baixada fluminense), e em 1999, ainda antes de entrar na faculdade, publicou a primeira versão deste site, logo após a venda da emissora. Atualmente trabalha como PM(Product Manager) no Globoplay.

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