Clodovil arranca verdades, levanta a audiência, mas sai brigando de novo

Em 13 de julho de 1992 o Clodovil Abre O Jogo, uma das poucas novidades anunciadas pelo grupo IBF. Diário, previsto para ir ao ar na faixa das 22h40. O programa era anunciado bem ao estilo do apresentador:

Foi através dele que o estilista popularizou o bordão: “Olhe para a lente da verdade e diz”.

Clodovil, apresentador da Manchete, 1992

“Vocês querem que eu ponha o dedo nas feridas, mas não estou gostando muito desse papo de mandar abrir o jogo. Lavar roupa suja no meu programa? Vai virar O Povo na TV, é?”, questionava à sua equipe durante as primeiras gravações.

“Talk-show” é talk-show. Mas sob o comando de Clodovil, é algo mais. É jogo aberto. Nada de meias palavras. Muito sincero e sempre surpreendente, o que Clodovil diz para as lentes faz da sua TV uma tela da verdade.
Locutor anunciando nas chamadas

A atração contava também com o pianista Ronaldo Pelicano, chamado de “Paixão” por Clodovil.

Era um dos programas de maior audiência, muito raramente atingindo menos de 5 pontos. Tinha custo baixo e representava bem a proposta de controlar custos e ter alto retorno, como queria a direção da emissora.

Com o programa gravado, Clodovil não escondia seu desapontamento com o fato: “Eu preferia que fosse ao vivo. Imagine se na vida real a gente para de repente para arrumar a luz?”

No primeiro semestre de 1993, Clodovil deixou novamente a emissora, e não poupou críticas. “Pior do que eu estava na Manchete? Cortaram os telefones por falta de pagamento, cheguei a fazer programa sem plateia porque não havia dinheiro para pagar os ônibus que traziam o público e nem o lanche”.